Doriva – O “Volante” de Nhandeara

Dorival Guidoni Júnior. Quem não se recorda deste craque brasileiro que, em finais de 90, pisou com categoria os relvados nacionais? Nascido em 1972, 1.73m, Doriva marcou positivamente duas temporadas de dragão ao peito. Um enorme pulmão, uma postura em campo que actualmente é raro encontrar-se, o canarinho ficou certamente gravado na memória de todos os adeptos de futebol em Portugal. Aqui fica o reconhecimento a mais um belo jogador de futebol.

Numa altura em que saiu a público a triste notícia do fim da sua carreira, com motivos de saúde a precipitar a decisão, achei plenamente justificado antecipar uma ‘Memória’ que já há algum tempo previa desenvolver no Jogo de Área, prestando assim uma devida homenagem. Um jogador sério, pacato, e cujas qualidades ficaram marcadas nâo apenas no seio da massa adepta portista, mas igualmente nos seus adversários que por variadas vezes aclamaram a sua excelência. Doriva ocupava a posição que os brasileiros referem como “médio-volante”, o box-to-box tão em voga nos dias que correm. Um jogador que corria quilómetros, com um sentido táctico impressionante, e que juntava à simplicidade do seu futebol uma enorme técnica e um pontapé que literalmente furava as redes adversárias.

Doriva   O Volante de NhandearaDourival Júnior é natural de Nhandeara, uma pequena cidade situada a 500km de São Paulo, capital do estado com o mesmo nome. A sua carreira profissional iniciou-se precisamente no São Paulo, em 1991, e por intermédio do técnico Telê Santana. Doriva ainda se viu obrigado a ganhar rotatividade em clubes como Anapolina e Goiânia, para 2 anos volvidos voltar a “casa”, para aí sim mostrar o seu verdadeiro potencial. O brasileiro conquistou rapidamente lugar na equipa e no coração dos adeptos, ajudando o São Paulo a vencer a Taça Libertadores, e a bater o AC Milan por 3×2 na final da Taça Intercontinental, em Tóquio.
Tudo corria sobre rodas para Doriva, que em 1995 havia de tomar uma decisão no mínimo caricata: o XV de Piracicaba, clube do 3º escalão, em parceria com a TAM (Taxi Aéreo Marília) conseguia assinar o médio brasileiro que no momento era titular absoluto dos tricolores. No entanto, e apesar da arriscada opção, Doriva conquistou o campeonato, volvendo em alta à 1ª Divisão para defender as cores do Atlético Mineiro. Emerson Leão era o técnico de então, numa equipa que contava igualmente com o nosso bem conhecido Valdir “Bigodinho”. Nos mineiros, Dorival atingiu mais um dos seus grandes sonhos: representar a Selecção Brasileira, cuja estreia foi a 27 de Abril de 1995. Foi considerado pela imprensa como o 2º melhor jogador do campeonato (prémio brasileiro Bola de Prata), para depois se mudar para a Europa, para o FC Porto, que o contratava em mais uma jogada negocial “à Porto”.

Inserido num meio campo portista de enorme qualidade, onde despontavam igualmente Zahovic e Deco, Doriva foi figura em duas temporadas – num FC Porto imbatível a nível interno. Mário Jardel, Drulovic ou Capucho eram igualmente estrelas da companhia. Curiosamente, Doriva acabou por sair desportivamente em grande prejuízo, jogando pelo Porto durante apenas 1 ano. Chegado ao dragão a Dezembro de 1997, as grandes exibições (quem não se recorda de um Porto 3×2 Sporting cujos 3 golos foram apontados pelo brasileiro?) geraram um enorme assédio ao médio portista. Doriva, provavelmente dando maior importância ao factor financeiro, pressionou a direcção portista que acabaria por aceitar transaccioná-lo para a Sampdoria, no Natal de 1998. Ao FC Porto, o atleta que havia custado 4 milhões de dólares acabou por render cerca de oito em menos de um ano; já para Doriva, a opção foi infeliz e precipitada, pois o clube italiano acabaria mesmo por descer de divisão. Manteve-se na Sampdoria por cerca de 2 anos, tal como no Celta de Vigo, o clube que se seguiu. Cumprindo a marca de participar nos melhores campeonatos do mundo, Doriva conseguiu ainda ser colocado no mítico emblema britânico Middlesbrough, onde participou em cerca de 75 partidas, durante 4 temporadas.
Apesar de não ter representado os maiores clubes pelos campeonatos por onde passou, o brasileiro deixou marca por qualquer um dos países. Um jogador de grande regularidade que habitualmente agrada a qualquer treinador, e que geralmente conseguia subir à área adversária causando sobressalto. A nível de selecções, Doriva fez ainda parte do lote de convocados para o Mundial 98, sagrando-se vice-campeão do Mundo depois do memorável confronto frente à França de Zidane.

Actualmente, Doriva encontrava-se a actuar no Mirassol, São Paulo, quando os exames médicos o obrigaram a arrumar definitivamente as chuteiras. “Encarei como um sinal divino. Já estava pensando em parar de jogar depois do Paulista, mas quando soube do resultado resolvi antecipar. Vi que estava na hora de ouvir a voz do meu coração”, referiu de forma emotiva. E em homenagem ao treinador que o lançou para mais altos voos, Telê Santana (falecido em 2006), Doriva baptizou a sua fazenda rural, na sua terra natal, com o nome do seu primeiro técnico. O próximo objectivo está bem estabelecido pelo brasileiro: a carreira como treinador.


Golo de Doriva pelo FC Porto

Sugestões...

9 Responses

  1. Horacio diz:

    Acompanhei por um grande tempo a vida futebolistica de Doriva. Tive uma grande admiração pelo seu futebol. Adimiro-o mais ainda pois, assistí ao seu batismo na Igreja Evangélica Assembléia de Deus – Min.do Belém na cidade de Votuporanga onde moro. Aproveito a oportunidade para lhe mandar um grande abraço.
    Outra coisa que aprendí, realmente quando vou de carro de minha cidade para Nhandeara passo em frente a uma propriedade rural que contém uma Placa com o nome do saudoso Telê Santana.Lá na sua cidade no passado tivemos grandes Craquis como Martelete, Antônio Cléto,Botelho e outros. Grandes Saudades…

  2. Bruno Nascimento diz:

    De Doriva recordo sobretudo aquele pontapé canhão fantástico, fosse na marcação de livres fosse em bola corrida, quando chutava a bola ganhava uma força e um efeito fantásticos! Era um jogador de trabalho, de muito esforço e ao mesmo tempo de qualidade técnica (há semelhança de quase todos os jogadores Brasileiros.)

  3. danilo victor de souza diz:

    sou danilo teinho 13 anos jogo bom e quiria partisipa dos carrqui da portuguesa

    espero ser comvocado………..

  4. Fabiana Gomes de Souza (Nhandeara/SP) diz:

    O Doriva soube fazer uma bela carreira no futebol. Tenho orgulho de o conhecer há muitos anos. Parabéns

  5. KIKO diz:

    valew Doriva, é de pessoas como ele que o Brasil presisa!!!

    Abraço a todos..

  6. Jean diz:

    Poucos atletas podem se orgulhar de representar um exemplo a ser seguido pelas crianças que amam o futebol. Afeitos a esbanjamentos de toda ordem muitos devem até mesmo ser repudiadfos pelos seus comportamentos e conseguentes exemplos funestos alardeados infelizmente pela mídia.
    Como toda a regra tem uma excessão, fico feliz por pessoas (sim pessoa, pois, antes de antleta é um homem)como Doriva fazer parte da academia de jogadores de futebol brasileiro que obtiveram êxito tanto no país como fora dele.
    Quando meu filho pergunta quais as qualidades de um bom jogador de futebol, não titubeio em evitar de dar exemplos “fenomenicos” que foram os melhores do mundo dentro de campo, contudo, desgraçaram suas vidas fora dele.
    Antes mesmo opto por nomes como o de Doriva, pois, podem contribuir para formação integral de meu filho.
    Valeu Doriva.

    Jean

  7. Estephan Hani - Jaboticabal/SP diz:

    Doriva, nosso amigo diabinho, assim carinhosamente era chamado de criança quanto a sua grande rapidez e força, voce é um orgulho para nos, que vivemos o sonho de ser jogador de futebol junto com voce, pelo grande esforço, voce é um grande vitorioso, DEUS abencoe sua vida e de seus filhos, abraços do amigo, Estephan Hani – Jaboticabal

  8. Letícia diz:

    Eu estudo com o filho do Doriva, ele é mto dez e bom de bola. O filho dele tbm provavelmente vai seguir os passos do pai.

  9. cicero gatti marinho diz:

    Doriva, que DEUS te abençoe nesse novo desafio de treinador do clube atletico paranaense. Embora esteja no inicio de carreira  como tecnico voce ja provou que é um dos grandes tecnicos do futebol brasileiro ,no seu primeiro desafio conseguiu  o titulo de campeão paulista de 2014  do ituano f.c., praticando um futebol diferente de muita disciplina tatica onde conseguiu que todos os jogadores acreditassem na sua proposta. Pela maneira humana, humilde,que voce trata a todos é uma das suas grandes virtudes .Voce chegara a tecnico da seleçao brasileira , o futebol brasileiro precisa de pesssoas como voce, um abração a voce esposa filhos  do amigo,Cicero – Itu

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