Análise: BwinLiga 07/08 > J17 > Sporting 2×0 Porto

Se no conjunto portista nada saiu bem, no lado do Sporting a estrelinha foi total e absoluta. Numa partida de grande história no futebol português, ambas as equipas se apresentaram aguerridas, praticando um futebol forte e ligado, mas a sorte sorriu apenas ao leão, que pode e deve receber um forte elogio por ter sido a única equipa a não cometer erros cruciais. E isso, por si só, acaba por explicar esta vitória.

Sabia-se que, na prática, o resultado deste embate pouco alteraria o rumo das duas equipas na BwinLiga. O Porto francamente afastado dos seus directos adversários; o Sporting a 14 pontos do primeiro classificado, tendo ainda no imediato uma saudável luta com o Benfica. Independentemente da diferena pontual entre os dois adversários, sabe-se como estas partidas mexem com o factor mental dos atletas, e isso foi uma realidade a toda a linha.
Tacticamente, ambos os treinadores efectuaram mexidas nos seus esquemas habituais. Paulo Bento inovava ofensivamente, colocando o rápido Simon Vukcevic em dupla com Liedson, ficando Izmailov e Romagnoli com a função de pivots ofensivos. Por seu lado, Jesualdo colocava em campo uma atitude ligeiramente mais conservadora. A entrada de Cech para o lugar de Adriano vinha trazer uma maior consistência ao meio campo, obrigando o eslovaco a cumprir tanto no corredor esquerdo como na zona central.

O início de jogo deixava antever uma excelente partida. O Porto a entrar francamente melhor, aos 8 minutos já colocava a bola nas redes adversárias. Um cabeceamento sublime de Lisandro - claramente o melhor elemento portista em campo - prontamente anulado pelo árbitro auxiliar por fora-de-jogo, colocava no entanto os portistas inteiramente na mó de cima. Um minuto volvido e era Lucho Gonzalez, frente a frente com Rui Patrício a não conseguir desfeitear o jovem guarda-redes. Numa partida de enormes emoções, o lance que a meu ver marcou os 90 minutos de jogo estaria para acontecer aos 13m: num rápido lance de contra-ataque leonino, Vukcevic a rematar forte e rasteiro como sequência a um cruzamento de Izmailov, e Hélton a deixar passar a bola por entre as pernas. Se o lance marcava a exibição do canarinho, havia igualmente de deixar uma enorme marca no até então elevado astral portista. De tal forma que 2 minutos volvidos os leões ampliavam a vantagem para 2 golos. Num lance em tudo semelhante ao de Lisandro, Vukcevic a cabecear em posição ligeiramente irregular, desta feita o árbitro a validar o lance, dando assim uma gorda vantagem aos verde-e-brancos. A sorte era madrasta para os dragões, que não esperariam nem nos mais terríveis pesadelos sofrer 2 tentos leoninos, ainda antes da meia-hora de jogo.

O descanso fez bem aos portistas, que no segundo tempo lutaram desesperadamente por um melhor resultado. Farias entrava para o lugar de Cech, e bem cedo o argentino demonstrou como se encontra numa excelente fase. Em apenas dois minutos, aos 56′ e 57′, “Tecla” esteve tão perto do golo que só factores externos não permitiram o golo portista: no primeiro, foi Polga a salvar em cima da linha de golo, no segundo foi o poste o amigo do Sporting. O Porto não deixava respirar o conjunto lisboeta, que no entanto demonstrou uma capacidade de sofrimento muito apreciável - Tonel, Polga, Moutinho ou Ronny foram exemplos de profissionalismo e de amor à camisola. Em oposição, destaque para a pobreza do futebol praticado por Ricardo Quaresma. Os assobios da massa adepta portista, tão criticados nas últimas semanas, são a meu ver um reacção muito “simpática” para aquilo que o extremo portista tem produzido (o passado não poderá nunca servir de desculpa para tal falta de colectivismo). Jogando para seu próprio regalo, Quaresma quase esquece que se encontra a praticar um desporto de equipa, tendo eu nesta partida contado 4 perdas de bola em 4 lances consecutivos, no segundo tempo. Inacreditável!!
Aos 66 minutos, um lance bem demonstrativo da “pólvora seca” portista. Lucho falhava um lance totalmente ao seu alcance, depois de uma jogava construída pelo inevitável Lisandro Lopez. Neste segundo tempo, e não obstante a excelente atitude portista, ficou demonstrado como este era um daqueles jogos em que a “bola não quer mesmo entrar”.

Como apaixonado pelo futebol, e já em jeito de conclusão, devo admitir que por raras vezes assisti a uma partida em que o resultado tenha sido tão injusto como este o foi. Efectivamente, e na óptica portista, julgo que a componente psicológica não deverá ser beliscada por este resultado negativo, tal foi a capacidade de resposta de uma equipa sólida e adulta. Em oposição, o Sporting pode e deve retirar desta partida o “sumo” de um 2×0 frente ao campeão nacional e actual 1º classificado da Liga Portuguesa. Apesar de toda uma fase menos boa no mundo leonino, hoje ficou demonstrado como existe uma “equipa”, um conjunto unido e com evidentes qualidades individuais. Caberá a Paulo Bento conseguir potenciar isso mesmo.

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