Análise: BwinLiga 07/08 > J17 > V. Guimarães 1×3 Benfica

O Benfica foi ao berço da Nação reclamar a si a 2ª posição e a respectiva Liga Milionária. Num jogo bem disputado, Cardozo foi a figura de destaque ao protagonizar o momento do jogo num golo que abriria caminho para uma derrota que os vimaranenses não sentiam no seu reduto desde 17 de Dezembro de 2006.

O jogo tinha contornos de grande espectáculo, que começava logo pela onda de entusiasmo de ambos os lados, sobretudo nos anfitriões que viam a oportunidade de alcançar o 2º lugar ao clube da Luz. O Vitória não contava com problemas na formação do onze inicial como o rival Benfica que estava privado quer de Luisão quer de Léo numa defesa que se compôs com Edcarlos ao lado de David Luiz, Luis Filipe na direita e Nélson no lado esquerdo. O jogo ainda não tinha ouvido o apito inicial e já se sentia uma concentração de emoçõees, capaz de anteceder um espectáculo que durou até ao apito final. Tudo isto iniciou com a devida e bonita homenagem a Miklos Féher, com a colocação de uma coroa de flores no exacto local do relvado onde o húngaro se despediu da vida com um sorriso eterno, unindo todos os que naquele momento torciam por cores diferentes. Logo a seguir, iniciava-se a partida praticamente com o grande momento do jogo, quando ainda as cadeiras estavam mornas, João Alves derruba Rui Costa em zona frontal à baliza de Nilson, resultando num livre directo, ainda longe, que poderia levar perigo às redes do Vitória. No Benfica actual, a falta dos chamados especialistas de bolas paradas é bem evidente, sobretudo desde a saída de Simão, no entanto, havia um protagonista que haveria de chamar a si um dos seus grandes trunfos - um pé esquerdo absolutamente estupendo. Oscar Cardozo, claro!

Passavam 8 minutos e Cardozo já deixava a sua marca no jogo ao bater de forma exemplar, diria mesmo quase divina, num misto de força e colocação, sem qualquer hipótese para o desamparado Nilson. Golaço de Cardozo! Já vão 7 na Liga num total de 13 na época. Estava feito o 0-1 e o Guimarães parecia claramente surpreendido tal era a atitude em campo dos encarnados que sem sufocar, controlavam as operações e sobretudo o ímpeto natural dos jogadores minhotos.
O Benfica, evitando o sufoco das suas próprias contradições, ia conseguindo sobreviver aos devaneios posicionais sobretudo de Luis Filipe que voltou a ser a porta de entrada da turma de Guimarães, mas foi num excelente trabalho de Di Maria pela esquerda, que deixa Andrezinho com os rins trocados e entra endiabrado na área antes de fazer a assistência para o segundo poste, onde surge Maxi Pereira, livre de marcação, que confirma o 2º golo das águias. Chegávamos ao intervalo, com o Benfica a marcar dois golos em quatro remates. O V. Guimarães, em nove, continuava em branco.

O Benfica com a vantagem confortável partia para a 2ª parte talhada para gerir ao longo do encontro. Se Petit parecia dar estabilidade ao sector intermediário, a intranquilidade defensiva semeava o pânico mesmo com Camacho, que com os três pontos na mão, denotou a intranquilidade recente. O V. Guimarães, com o seu figurino habitual, se na 1ª metade não se sentiu bem num apertado fato de gala, acusando a pressão, ansiedade que por momentos, levava a pensar que Cajuda já não conseguiria empurrar, ainda mais, a sua equipa para o topo. Puro engano. Cajuda mostrou conhecer bem a sua equipa e mexeu na mesma fazendo entrar o argelino Ghilas e o veterano Carlitos, que juntos inclinaram o campo num sentido único - a direcção da baliza de Quim. O Benfica tentou segurar os vimaranenses que apoiados pelo seu entusiasta público, chegariam ao 1-2 por intermédio de Ghilas. O D. Afonso Henriques entrava em completo delírio tal era a pressão dos pupilos de Cajuda perante um Benfica que se reduziu à contenção e ao sacrifício até que já com Nuno Gomes e Adu em campo, o guardião minhoto Nilson coloca mal a bola em Cardozo que com a baliza deserta, não pensa, executa à verdadeiro ponta de lança e faz o resultado final 1-3 premiando o esforço e determinação da sua equipa num ambiente de grande euforia.

Com o final da partida, fica a sensação que o Benfica corrigiu as suas constantes más primeiras partes e com isso asseguraram a tranquilidade numa partida em que a sua eficácia reforça a vice-liderança na Liga, perante um Guimarães que tem tudo para importunar qualquer emblema, em qualquer lugar, com espectáculo, emoção e adeptos até ao último suspiro.

Deixe o seu comentário