Análise: BwinLiga 07/08 > J16 > Académica 1×1 Sporting
Sem aprender a lição. O Sporting saiu desta feita de Coimbra com mais um duro golpe na sua confiança, numa partida que a espaços foi bem disputada. Os leões mais uma vez não souberam gerir a vantagem no marcador e acabaram por morrer na praia perante a felicidade dos estudantes que tiraram partido da desorganização leonina ao soar do apito final.
Comecemos pelo evidente. Paulo Bento, ciente das mil e umas complicações do seu plantel, apresentou um onze sem surpresas, com os jogadores que na sua cabeça dão as melhores garantias neste momento, mas mexeu a nivel táctico alterando o 4×1x3×2 para 4×2x3×1 para fazer face à ausência de alternaticas para render Purovic. A equipa de Alvalade demorou a adaptar-se ao estado do terreno, mas mesmo assim, assegurou uma entrada a todo o gás, e só no último quarto-de-hora do primeiro tempo adormeceu perante uma Acadámica com vontade mas pouca clarividência na hora de atacar. Se por um lado a ausência de N’Doye abria uma brecha de qualidade no meio-campo dos estudantes, por outro lado a equipa ressentiu-se da marcação apertada leonina a Hélder Barbosa, condicionando assim todo o processo ofensivo da Briosa.
O Sporting, por seu lado conseguiu com este sistema ter mais posse de bola e como tal a sensação de domínio na partida, num momento em que coincidiam no meio campo leonino Moutinho, Veloso, Izmailov e Vukcevic, com este último em evidência ao procurar de todas as formas eliminar o plano aplicado pela defesa da casa. Pedro Roma mostrava-se presente para evitar males maiores sempre que Orlando e Kaká se mostravam em dificulades, sobretudo para travar os safanões de Liedson na partida. A primeira parte pouco mais de interessante trouxe ao jogo, e pareceu-me claro que Paulo Bento, embora ciente da sua “mea culpa”, olhou para o banco e deverá ter sentido (mais uma vez) que a equipa tem uma gritante falta de opções de segunda e primeira linha.
A segunda metade trouxe um Sporting empolgado pelas substituições de Paulo Bento, que pouco acrescentaram ao tímido sinal mais dos leões, com a Académica sempre à espreita de algum contra-ataque para a surpresa, mas novamente sem argumentos suficientes para justificar o empate, sobretudo com o avançar do relógio e a equipa a encolher-se cada vez mais no seu reduto. O Sporting tentava de várias formas, até que Moutinho num livre (já aos 81′) centra a bola para Tonel, que colocaria os leões em vantagem na partida. Parecia estar tudo arrumado para um desfecho feliz, com os jogadores leoninos a procurar a contenção e controlo de bola até ao apito final mas a esquecerem por completo o preenchimento dos espaços no terreno, recuando e deixando claro que Bento não viu os últimos jogos da Briosa, que marcou nos últimos segundos das partidas. Pavlovic assinaria o tento da igualdade no último fôlego dos estudantes, fruto de uma clara desatenção dos jogadores leoninos, que deixaram uma avenida à frente da sua baliza.
Para este Sporting, mais do que ter morrido na praia, é o constatar de dificuldades num plantel demasiado curto e jovem, sem figuras de referência e sem grandes nomes que levem o clube e os seus adeptos a acreditar. O clube parece estar a pagar a factura da aposta (em demasia) na sua formação sem uma gestão correcta dos seus activos mais antigos - Sá Pinto, Oceano etc. Mais do que uma profunda reflexão, parece demasiado evidente a falta de uma voz de comando no reino deste leão que a continuar assim pode ver poucos objectivos atingidos este ano, compremetendo seriamente a projecção dos anos seguintes.
Uma mão na mesa é crucial neste momento, a fim de evitar o descalabro total numa altura em que o FC Porto é o adversário que se segue para a Liga.








