Pelé – Centrocampista à Italiana

Vítor Hugo Gomes Passos: é este o nome do atleta que hoje trago ao Jogodeárea. Certamente conhecido por muitos adeptos do futebol por esse país fora, é com a alcunha de “Pelé” que este atleta se exibe dentro das quatro linhas. Aos 20 anos, este portuense de gema está agora a iniciar uma nova etapa na sua ainda jovem carreira de futebolista: a aventura no colosso Inter de Milão.

Pelé começou a dar os primeiros toques numa bola na sua cidade natal, o Porto. O Salgueiros foi o clube escolhido, e foi aí que iniciou a sua formação. O que é facto é que o Salgueiros mergulhou na crise financeira que conhecemos, descendo à 2ª Divisão B, e a proibição de assinar contratos profissionais levou a que a maioria dos seus jogadores abandonassem o clube. Assim, na época de 2004/05 vimos um Salgueiros obrigado a apostar nos seus jovens atletas, todos eles na casa dos 16/17 anos. Pelé fazia parte desse lote de jogadores, e se para o seu clube a situação era crítica, para o jogador português acabaria por se revelar uma mais-valia, numa época em que acumulou conceitos futebolísticos valiosos para a sua idade.
Com 1.87m, uma capacidade técnica acima de média e tacticamente bastante desenvolto, Pelé rapidamente ganhou maior visibilidade. Na época seguinte, e numa manobra controversa por parte do Benfica, o médio defensivo transferia-se para o Estádio da Luz a custo zero para uma passagem (no mínimo) fugaz pelo mundo encarnado. Acusando claros problemas de adaptação, Pelé foi raramente utilizado nas equipas secundárias benfiquistas, e conseguiu libertar-se do vínculo ainda antes do meio da temporada (Dezembro de 2005). Ao assinar pelo Vitória de Guimarães, o seu percurso viria a alterar-se radicalmente, como se sabe.

Pelé   Centrocampista à ItalianaAquando da transferência para o gigante Inter, Norton de Matos vincou que Pelé “tem uma mentalidade extremamente forte, e que poderá ser esse um dos grandes factores de sucesso do atleta”. Segundo o treinador português, “para ele é igual jogar com 50 mil ou com zero espectadores, nada o intimida”. Quando Cajuda ocupou o seu lugar no Guimarães (a meio da temporada 2006/07) relegou Pelé para o banco de suplentes, mas o trabalho já estava feito. Pelé era por esta altura titularíssimo da Selecção Sub-20 portuguesa, e foi precisamente no Torneio de Toulon – essa mítica competição que quase sempre resulta em revelações surpreendentes – que Mancini o viu jogar pela primeira vez. Ficou encantado, confessou. A equipa de prospecção milanesa manteve-se atenta ao desenrolar dos acontecimentos, e o Mundial Sub-20 foi o evento que se seguiu. Apesar da terrível prestação da equipa das quinas, Pelé mostrou qualidades que não deixam ninguém indiferente, num estilo a fazer lembrar Patrick Vieira.

Revelando-se um trinco à antiga, a sua capacidade física salta à vista, e a clarividência de jogo é bem acima da média para um atleta com 20 anos. A calma com que sai a jogar de cabeça levantada, com passada larga, procurando a melhor definição de passe – mesmo em espaços de terreno onde o erro se paga caro – são pormenores que definem e atestam a qualidade deste médio defensivo. Na verdade, para um atleta de apenas 17 anos e com um alto potencial, percorrer uma temporada completa na 2ª Divisão B é algo de muito interessante. O resultado dessa aprendizagem é agora notório: trouxe-lhe uma bagagem competitiva que pode potenciar o seu talento inato para níveis bem altos.

No Inter, Mancini fez questão de acompanhar o seu percurso desde o primeiro dia. A sua estreia a titular ocorreu a 5 deste mês (numa vitória por 3×0 frente à Lazio), e Pelé certamente que não a irá esquecer. Demonstrando personalidade, e sem acusar a pressão, Pelé jogou 85 minutos e foi substituído para os aplausos. Pelé tem igualmente participado em várias partidas ao longo da temporada, entrando como substituto numa fase mais avançada das partidas. Mas como nem tudo podem (nem devem) ser elogios, Pelé é também conhecido por ter um feitio impulsivo. De personalidade bem vincada, é um jogador por vezes um pouco ríspido na abordagem aos lances. O que é facto é que num clube como o Inter, onde tem sido paulatinamente integrado, todos esses aspectos poderão ser trabalhados e melhorados, e Pelé tem de facto uma oportunidade única: conviver, com apenas 20 anos, ao lado de craques como Toldo, Cambiasso, Ibrahimovic, Adriano, Figo, Crespo, entre outras estrelas. O resto, são cenas dos próximos capítulos.

Foto: Inter.it

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