Observatório: Pedro Mendes – Um Todo-o-Terreno

Ontem, em mais um fim-de-semana de futebol britânico, tive a oportunidade de assistir ao duelo Aston Villa x Portsmouth, a contar para 16. jornada da fantástica Premier League. À partida, ambas as equipas se encontravam igualadas, com 27 pontos, positivamente colocadas na tabela classificativa, e foi com esses predicados bem presentes que as duas equipas iniciaram o seu confronto.

O Aston Villa, jogando em casa, vinha de 4 vitórias consecutivas e uma derrota na última partida, frente ao imbatível Arsenal. Por seu lado, o Portsmouth com um percurso bem mais intermitente, alternava a vitória com a derrota nas últimas 6 partidas. Apesar deste historial recente, o Portsmouth, comandado por Redknapp, evidenciou-se de forma clara vencendo o confronto por 3×1. Para tal, um elemento pareceu-me extremamente importante na manobra de meio campo, quer na destruição, quer na construção: o “nosso” Pedro Mendes.

Observatório: Pedro Mendes   Um Todo o TerrenoO ex-jogador do Porto, e formado no Vitória de Guimarães, tem qualidades que não enganam. Tem aquilo a que chamamos de perfume de futebol. Numa posição que exige eficácia e sentido táctico, a exigência torna-se ainda maior por estarmos a falar de uma equipa britânica de segunda linha. O que é facto é que Mendes é actualmente um autêntico pêndulo no meio campo da equipa inglesa: com uma capacidade extraordinária para largar a bola ao primeiro toque, parece estar sempre no sítio certo, e mais, parece sempre abrir-se uma linha de passe quando a bola lhe chega aos pés. Associado a esse rigor táctico, Pedro Mendes tem ainda um forte remate – que tanto furor obteve no final da época transacta – e consegue ainda bater-se nas alturas, por vezes com grande coragem. Por tudo isto, e com qualidades humanas fora do comum, Pedro Mendes é hoje em dia uma coqueluche da equipa do sul de Inglaterra.

Na partida de ontem, lembrei-me das várias partidas que efectuou pelo Porto na célebre época que culminou com a vitória na Champions League (2003/04). Mendes era quase como um trunfo para Mourinho, pois raramente os adversários o conheciam. O que é facto é que Mendes já ai se exibia como um atleta de futebol moderno, para quem o rigor é palavra de ordem. Recordo-me de duas exibições de alto calibre, para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões, frente ao Manchester United – em casa o Porto bateu os ingleses por 2×1, empatando a uma bola em Old Trafford. No conjunto das duas partidas, Mendes foi a meu ver um dos elementos de maior rendimento. Certamente que desde esse momento este “viking” português terá ficado na memória de muitas equipas britânicas, sendo mais tarde o Tottenham a resgatá-lo aos campeões europeus.

Ontem, o Portsmouth exibiu-se com um claro esquema táctico de 4-1-4-1, sendo Mendes o elemento mais defensivo do meio campo, como trinco à portuguesa. Curioso ou não, todo o jogo passou pelos pés do médio português, que parece ter toda a confiança e mais alguma dos elementos que o rodeiam. Num futebol de grande garra, de curtos espaços e marcações cerradas, Mendes consegue exibir-se como o fazia em Portugal, deixando transparecer a sua técnica e trocando a bola com enorme eficácia. Pedro Mendes é um jogador que se adaptou de forma sublime ao futebol inglês, mas o oposto também sucedeu: o seu futebol foi totalmente absorvido pela equipa inglesa! Arriscaria-me a dizer que não há actualmente na nossa selecção um atleta com as qualidades de Pedro Mendes, mas essencialmente pela clarividência e sentido posicional que tanta falta tem feito à selecção portuguesa, especialmente na falta de Petit. Trata-se apenas de mais um jogador a quem não foi dada sequer uma oportunidade, mas que apesar disso vai deliciando tudo e todos no maior campeonato do mundo. E isso é por si só, notável.

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