Observatório: O Maradona da Luz

Sábado, 16 de julho de 2005, 16h28 perante os flashes dos jornalistas eis que chegava mais um reforço para os lados da Luz. Lembro-me como se fosse hoje, de semblante sério e sem grandes sorrisos é apresentado o ambicionado lateral-esquerdo. Fala directo e rápido diz o nome sonante que o torna maior que a sua estatura: Leonardo Lourenço Bastos. Falo de Léo, pois claro.

Natural do Rio de Janeiro, Léo, lateral-esquerdo, internacional brasileiro, na altura com 30 anos (6/7/75), 1.67m e 62 kg, concretizava finalmente o sonho de jogar na Europa, que vinha a adiar ano após ano, devido ao seu reconhecimento pela aposta que o Santos fez na sua aquisição, apesar do interesse de clubes alemães e espanhóis no seu concurso, praticamente desde 2001, o ano da sua ‘explosão’ no futebol brasileiro.

Observatório: O Maradona da LuzNa altura lembro-me bem das habituais vozes da discórdia no reino encarnado a levantarem o tom mal viram o jogador a entrar para ser apresentado – “é demasiado baixo, que lingrinhas, ainda para mais já vem velho, mais uma transferência idiota etc.”, na altura questionaram Léo sobre a sua idade e o facto de só agora chegar ao sonho Europeu e lembro-me bem deste responder que velhos são os trapos e tratar logo de mostrar em campo e fora dele que foi claramente uma das melhores contratações do clube da águia nos últimos 20 anos.

Mal conhecia Léo antes deste vir para o Benfica. Mas depressa me cativou e começou a mostrar o porquê de ter sido por 3 vezes considerado o melhor lateral esquerdo do campeonato brasileiro – em 2001, 2003 e 2004. Léo iniciou a sua carreira no modesto Goytacazes, clube do litoral-norte do Estado do Rio Janeiro, onde deu nas vistas, chamando a atenção do Americano, que viria a representar em 1996. Apesar das boas exibições, não despertou o interesse dos ‘grandes’ do Rio, acabando por rumar ao União São João, clube que revelou Roberto Carlos no futebol brasileiro. Seguiu-lhe as pisadas, acabando por rumar, tal como o actual jogador do Real Madrid, para ao Palmeiras, dois anos depois, onde conheceu o pior momento da sua carreira. Vetado por Scolari, na altura treinador do clube, nunca foi opção e chegou a ser proibido de treinar pelo ‘Sargentão’, que, segundo a imprensa canarinha, Léo ‘não quer ver nem pintado de ouro’. Após um breve regresso ao União São João, que representou no Paulistão 2000, rumou ao Santos, em Julho de 2000, começando uma ligação que viria a durar cinco anos repleta de êxitos, pessoais e colectivos.

Observatório: O Maradona da LuzJá no Benfica, teve a dura tarefa de apanhar o clube na fase pós-campeão nacional num período atribulado. Dentro de campo, cedo fez jus às suas enormes qualidades como lateral-esquerdo bem moderno e com um enorme vocação ofensiva, e a velocidade que imprime na altura de fazer todo o corredor, sempre com enorme capacidade técnica e uma excelente capacidade de desmarcação, aproveitando muito bem triangulações para chegar à àrea adversária. Fez uma das duplas mais temíveis em Portugal e do Benfica juntamente com Simão. Em termos defensivos, fruto das suas limitações físicas, denota algumas dificuldades quando chamado a fechar dentro, pois é bastante baixo, tendo no jogo aéreo a sua principal lacuna, mesmo assim, defende bem em posições exteriores e é difícil ultrapassá-lo em velocidade, sendo bastante correcto a abordar o adversário que tem pela frente.

Fora de campo, mostra uma das grandes qualidades que lhe reconheço pois não cai no discurso comum dos jogadores de futebol, e nos “graças a Deus” comuns que os jogadores brasileiros nos presenteiam quase diariamente. Léo, quando fala mostra como em campo o profissional que é, e é dos jogadores mais respeitados pelos adeptos quer do Benfica quer do futebol nacional. É capaz de falar do Benfica como se tivesse nascido e crescido no clube e vê-se bem que, melhor que ninguém, soube interpretar o que é o Benfica e o que os adeptos esperam dele e da equipa em todas as frentes.

O “Maradoninha” foi mesmo considerado o melhor lateral esquerdo a actuar em Portugal e o melhor defesa da Liga Portuguesa 2006-07, a verdade é que deixará para sempre saudades. Pelo menos a mim, que verei sempre Léo como um senhor. Alguém que ficará, se não na história do clube, pelo menos na memória e no coração de muitos benfiquistas e adeptos do futebol de qualidade. Eu sou um deles.

Sugestões...

1 Response

  1. leonardo dias bandoli diz:

    SOU BRASILEIRO,TENHO 15 ANOS.NASCIMENTO 17/03/1993. ALTURA 1,73 m .JOGO NO BRASIL NUM CLUBE FEDERADO.JOGO NA POSIÇÃO AVANÇADO.
    VOU TIRAR MINHA DUPLA CIDADANIA.
    MEUS PAIS ESTÃO QUERENDO IR AGORA EM JULHO ,A PORTUGAL.
    GOSTARIA DE SABER SE TEM COMO FAZER UM TESTEAI, NESSA ÉPOCA .
    ADMIRO MUITO ESSE CLUBE E GOSTARIA DE PODER FAZER PARTE DELE.
    AGUARDO CONTATO. AGRADEÇO DESDE JÁ. LEONARDO DIAS.
    MEU TELEFONE PARA CONTATO É 21 24879780.

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