Observatório: Manucho – O Primeiro Brilho do Girabola

A noticia estalou um pouco por todo o Mundo, mas foi no país do sol e terra quente que se sentiu a verdadeira explosão de felicidade. Angola vibrou por completo ao saber que a estrela mais cintilante do saudoso Girabola – o ponta de lança Manucho iria “apenas” jogar no melhor clube do Mundo – o Manchester United de Sir Alex Ferguson e Carlos Queirós.Ontem durante uma conversa com um amigo jornalista inglês e adepto dos “red devils” fui questionado sobre este verdadeiro episódio que ocorreu no dia 20 do presente mês. Sir Alex Ferguson e Carlos Queirós avançavam para a compra do palanca negra Alberto Contreiras Gonçalves, mais conhecido como Manucho. A curiosidade era enorme e na realidade a grande questão era “Como o United justifica tal contratação, sabendo que é um jogador com 24 anos, que apenas passeou classe no campeonato angolano “Girabola” e que conta apenas com 10 internacionalizações AA?” A pergunta pareceu-me mais que pertinente e tratei de reunir mentalmente um conjunto de respostas que visaram sustentar a decisão dos managers deste mega-clube Mundial.

Primeiro: O Campeonato Angolano e a sua realidade

Observatório: Manucho   O Primeiro Brilho do GirabolaA verdade é que o Girabola 2007 contou com enorme emoção até ao último minuto da última partida do campeonato em que 2 equipas poderiam sagrar-se campeões (Inter Luanda ou 1ºd’Agosto) com a sorte a sorrir à primeira equipa comandada pela eterna glória benfiquista – Mozer. O Inter mesmo tendo iniciado o campeonato de forma desastrosa com 5 derrotas nos 5 jogos iniciais, recuperou a moral e foi-se aproximando dos principais rivais, o Petro de Luanda (do nosso conhecido Bernardino Pedroto, grande coleccionador de títulos ao serviço do ASA – Atlético Sport Aviação e que contava entre outros com o angolano João Ricardo e Vítor Pereira). Por outro lado o favorito 1º de Agosto, orientado pelo holandês Johannes Brouwer e campeão em título que não revalidou o titulo graças ao hattrick do artilheiro Manucho Gonçalves para o Petro – (4-3), já na recta final do campeonato e que deu a liderança com fôlego e alguma justiça ao Inter de Luanda.

O Petro de Manucho ficaria na 3ª posição com 50 pontos (menos 5 que o campeão) mas foi a equipa com melhor ataque com 43 golos (Inter apenas 32) mas acabou por perder o campeonato graças à sua frágil defesa que não evitou sofrer 25 golos contra apenas 17 do Inter.
Tudo isto para mostrar que este é um campeonato muito bem disputado, com as equipas a demonstrar um nível médio em termos de qualidade, identificando-se, logo à partida, uma série de dificuldades, principalmente a nível físico e de maturidade competitiva.
É perfeitamente normal haver equipas neste campeonato com dificuldade em ter água para tomar banho depois do treino e jogos, o estado do relvado quase inexistente, a falta de produtos de fisioterapia e o facto dos grandes clubes (Petro e 1º d’Agosto), nenhum jogar em casa própria, dividindo os jogos pelo campo dos Coqueiros e pela Cidadela desportiva, ao contrário do Inter, que actua em casa própria. Relativamente ao número de adeptos, os “polícias” (Inter) praticamente não os têm, sendo comum ver alguns com camisolas alheias nos jogos disputados em casa entre milhares de outros adeptos forasteiros. Tudo exemplos que se reflectem no desempenho final de cada jogador, como é óbvio.

Segundo: Manucho – antes e depois

Manucho iniciou sua carreira nos Flaminguinhos Escola FC, onde jogou de 1994 a 2003, representou, no Campeonato Nacional (Girabola), o Benfica de Luanda antes de seguir para o Petro de Luanda. Em 2001 o avançado, que disputou o seu primeiro jogo internacional aos 14 anos, com a participação dos Flaminguinhos num torneio na Argentina, foi o melhor marcador do Campeonato Provincial de júnior com 13 golos. Assim parece desde logo que Manucho está pautado para os golos, mas foi ao serviço do Petro de Luanda que se evidenciou conquistando a bota de ouro em 2006 (16 golos) e na época transacta de 2007 com 17 golos em 25 partidas.

Observatório: Manucho   O Primeiro Brilho do Girabola
Foi claramente o melhor jogador do campeonato (a par de Mingo do Inter e Zé Augusto do 1º d’Agosto) e é um ponta-de-lança alto, esguio, cabeceador e extremamente oportunista. Gosta de rematar de qualquer forma e de se posicionar bem para concluir em beleza. É disciplinado em campo, esforçado e bastante batalhador mas precisa de treinar muito e sobretudo em melhores condições.

A sua chegada digna de uma estrela hoje a Luanda, fez encher o Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro, tal era a curiosidade de ver o primeiro Angolano a conseguir tal feito, ser o 1º a envergar a camisola dos “red devils” sem que para isso tenho passado por outros campeonatos com “maior visibilidade”. Sé este facto, enche de orgulho os angolanos que começam a ver Manucho como o primeiro grande herói angolano no futebol internacional.
Resta a Manucho manter as suas raízes humildes e simples de um jogador marcadamente africano, que conseguiu em 3 semanas convencer Sir Alex Ferguson, que é uma opção válida para a frente de ataque do United e aproveitar esta nova experiência para aprender ainda mais ao lado de Cristiano Ronaldo, Nani e Anderson, entre tantas outras estrelas.
Boa sorte Manucho!

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