Rui Fonte e Yago Fernandez – As Pérolas Lusas de Wenger

Não é novidade para o leitor mais atento, que Portugal tem sofrido nas últimas duas décadas autênticas emboscadas aos seus jovens talentos que, a pouco e pouco, começam a dar ainda mais fama às nossas escolas de formação. Um dos melhores actuais exemplos, é sem dúvida o de Arséne Wenger, que no seu Arsenal, começa a fazer questão de tal como o rival Man. United investir no já conceituado mercado de jovens promessas portuguesas, como fez com a compra de 2 novas coqueluches lusas: Rui Fonte e Yago Fernandez.

Começa a tornar-se uma autêntica moda o facto dos melhores clubes da Premier League, enviarem olheiros que recrutam jovens de todo o Mundo, ainda em tenra idade, para prosseguirem a sua formação segundo os princípios e a orientação do próprio clube. Um dos melhores exemplos acontece em Manchester, onde o United e Alex Ferguson não se cansam em apostar em jovens talentos e em moldar os mesmos segundo a sua própria filosofia e a verdade é que os resultados estão à vista: Cristiano Ronaldo é o homem do momento e Nani e Anderson para lá também caminham. Não deixa de ser curioso que o grande pioneiro neste género de aventuras em terras de Sua Majestade tenha sido o já veterano Luís Boa Morte, que sem chegar a um estatuto de super estrela conseguiu definitivamente ganhar o respeito dos ingleses e afirmar-se como um dos bons avançados da Liga Inglesa. Seguiu-se também Ricardo Vaz Tê, entre tantos outros. A verdade é que as jovens promessas Portuguesas dão cada vez mais que falar na Europa e prova disso é a recente aposta do Arsenal em 2 jovens portugueses.

Rui Fonte e Yago Fernandez   As Pérolas Lusas de WengerO primeiro a chegar aos gunners foi Rui Fonte. Nascido em Lisboa a 23 Abril de 1990 (17 anos) e irmão de José Fonte (jogador ligado contratualmente ao Benfica) este avançado internacional português sub-17 é fruto da já mundialmente famosa academia do Sporting, tendo assinado contrato profissional com o clube londrino em Agosto de 2006. Rui tem na sua velocidade, técnica e faro para o golo os atractivos que juntamente com uma grande mobilidade e procura das alas para dribles, causaram grande impressão a Wenger que não teve dúvidas em chamar Rui Fonte às suas fileiras. Não demorou muito até que fizesse a estreia pela equipa principal, como substituto num amigável (2-0) contra o Barnet. Rui fez 8 inícios de jogo no banco da equipa principal, tendo mesmo marcado um golo memorável, num volley perfeito e audacioso que garantiu a vitória face aos rivais do Fulham.
Tendo assinado o seu primeiro contrato profissional (empréstimo por 3 épocas), esta jovem esperança lusa, espera ter mais oportunidades para mostrar as suas qualidades, mas não se cansa de frisar que “o facto de treinar sempre com a equipa principal e ter treinado com nome como Thierry Henry o ajudaram a formar como melhor jogador e na própria adaptação a um estilo de jogo mais rápido, directo e eficaz como o inglês”.

A outra mais recente conquista lusa dos gunners, foi ao garantir os serviços de um dos jovens centrais mais promissores na Europa, o luso-espanhol – Yago Fernandez Prieto. Yago Fernandez é um dos jogadores da selecção sub-17 que desperta mais curiosidade, sobretudo por ter trocado o Benfica aos 14 anos pelo mais mediático dos clubes: o Real Madrid. Trata-se de um defesa central nascido em 5 de Janeiro de 1988 (19 anos) alto (1,92m) e seguro, praticamente imbatível na marcação. Tem uma apetência enorme para marcar com regularidade golos em bolas paradas e gosta de subir com a bola controlada. Iniciou-se no Benfica aos nove anos e aos 14, quando jogava nos iniciados B, recebeu um telefonema de Madrid. Tinha ficado no olho de um observador. A distância nâo o impediu de somar 18 internacionalizações pelas selecções sub-16 e sub-17, quase sempre ao lado do capitço Daniel Carriço.
Filho de pai Espanhol e mãe Portuguesa, desde cedo foi incentivado a praticar futebol pelo pai, um apaixonado pelo desporto-rei, desde sempre sentiu as raõzes portuguesas mais penetrantes e não equaciona sequer a possibilidade de representar a selecção principal de Espanha. Internacional português desde tenra idade, Yago garante devoção total à selecção lusa e promete, apesar de ocasionais abordagens para inverter o seu rumo: “Jogarei sempre pela selecção de Portugal, nunca por Espanha. Sou português, adoro o meu país e nao vou mudar nunca.”, e ao clube da Luz “Sou benfiquista e, se um dia fosse possível, apanhava logo um avião para jogar no Estádio da Luz.” Após uma passagem pelo Valencia, onde assinou um contrato amador e não viu as promessas de se treinar com a equipa principal, feitas pelos dirigentes do clube “che” concretizadas, concordou em assinar um pré-contrato com o Arsenal, de 5 anos.

O clube do norte de Londres pagará ao Valência cerca de 250.000€, valor considerado extremamente baixo pois o clube espanhol nunca promoveu o jogador para além da equipa B. Arséne Wenger já tinha Yago debaixo de olho há muito tempo, e não perdeu tempo em o resgatar mesmo antes do Valencia propor um contrato profissional ou mesmo o rival Liverpool que chegou a abordar o luso-espanhol. A confirmar-se, é claramente mais um negócio extremamente astuto do manager do Arsenal, que tem criado o hábito bem lucrativo de pescar autenticamente jovens promessas, a valores bastante mais baixos antes que os seus clubes se apercebam do potencial jogador que têm em mãos.

Cesc Fabregas ou Mathieu Flamini são alguns dos exemplos que o Arsenal usou com enorme sucesso a mesma estratégia de recrutamento antes de assinarem contratos profissionais. Rui Fonte e Yago Fernandez, dois jovens Portugueses que prometem encher de qualidade os grandes palcos da Premmier League.

Sugestões...

3 Responses

  1. Horácio B. Pinto diz:

    De facto, Portugai, nos últimos anos, tem sido um constante viveiro de grandes jogadores. E não vale a pena enunciá-los, pois todos nós sabemos quem eles são. Muitos, têm-se perdido, às vezes, por culpa própria, mas também muitas vezes, por culpa daqueles que os dirigem (treinadores). Este caso, não poderá ser aplicado a técnicos como, Arsène Wenger que, para mim, é o melhor do mundo, no capítulo de saber aperfeiçoar a matéria, que já de si é boa. Os casos do Flamini e do Fabregas, são os mais mediáticos, mas há.outros que estão no “pipe line”, para serem lançados gradualmente. Ah, quem me dera ter este homem a treinar o nosso Porto! O outro, mas com um estilo diferente, é Sir Alex Ferguson. Quando penso no Quaresma, ser comandado por ele, vejo-o, senão melhor que Ronaldo, pelo menos tão bom. Por aquilo que disse, para Quaresma se tornar num fenómeno, com a idade que agora tem, teria de ser comandado por Ferguson e não por Wenger ou até Mourinho. Ronaldo, não seria o que é hoje se não tivesse vindo para o Manchester, com a excepção do Arsenal, pois nessa altura, ainda estaria na idade de ser moldado pelo Wenger. Não sei se o meu comentário é suficientemente claro, mas, se houver alguma dúvida, estarei na disposição de tentar clarificar. É possível também, que tenha fugido um pouco ao artigo, todavia as conversas são como as cerejas; quando pegamos numa, vêm umas poucas pegadas. Saudações portistas e desportivas.

  2. Gustavo Devesas diz:

    De facto as capacidades do técnico francês para descobrir novos talentos, moldá-los e colocar a sua equipa a jogar um futebol vistoso são inegáveis. É por isso um dos mais conceituados do Mundo, mas vão faltando-lhe os títulos para o suportar. Mais uma vez, esta temporada quando os “gunners” eram tidos como grandes favoritos à conquista da Premier e Champions League, eis que na recta final sucumbem e mais uma vez, morrem na praia. É o preço da juventude e inexperiência do plantel, mas a qualidade do futebol praticado pelo Arsenal merece de facto melhor sorte.

  1. 7/8/2008

    […] deste jovem promissor que joga sobretudo na posição 8, como médio centro, e promete ser mais uma pérola lusa a brilhar na fabulosa Liga […]

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