Portugal – A Reviravolta do Novo Século

O momento que vivemos faz com que “respiremos” Portugal nas próximas 2 semanas. Assim sendo, foi-me colocada a seguinte questão: “Qual a reviravolta mais marcante de um jogo de futebol da Selecção Nacional?”. Perante tal desafio, não tive grandes dúvidas em seleccionar entre os felizmente já vários momentos da nossa selecção, um jogo que haveria de relançar Portugal no panorama das competições entre nações neste novo milénio – Portugal 3×2 Inglaterra, no Euro 2000.

A “Memória” relembra assim o grande momento da fase final do EURO 2000 organizado em conjunto pela Bélgica e Holanda, em que Portugal ficou inserido num grupo claramente dos mais equilibrados e emocionantes da competição com Inglaterra, Alemanha e Roménia como adversários de peso a ultrapassar. As vozes do contra como é costume, eram sobretudo voltadas para o então Seleccionador Nacional – Humberto Coelho – que num verdadeiro passo de magia, foi chamado pelo eterno presidente Gilberto Madail e assim assumir a responsabilidade de liderar a chamada geração de ouro que que atingia agora a maturidade, ainda sem sotaque trans-atlântico.

Humberto Coelho numa verdadeira demonstração de qualidade como técnico e como gentleman que é, armou uma equipa que era constituída pelo seu “núcleo duro”. Apenas Vidigal, que fizera um campeonato extraordinário como trinco no Sporting, se estreara entretanto na equipa portuguesa iria, por via das sucessivas lesões de Paulo Sousa, ganhar o lugar de titular durante o Europeu ao lado de nomes agora lendários do nosso futebol. Numa verdadeira demonstração de crer e de qualidade, mostraram e acordaram novamente a Europa e ao Mundo neste novo século, no então denominado PSV Stadium em Eindhoven no dia 12 de Junho de 2000 frente à então considerada como a melhor Inglaterra pós-Best e Charlton e um dos grandes candidatos à conquista do troféu. Portugal estreou-se na competição com o seguinte onze, que marcaria o futebol luso para sempre:

* 1 Vitor Baia,* 2 Jorge Costa,* 4 Vidigal,* 5 Fernando Couto,* 7 Luis Figo,* 8 João Pinto,* 10 Rui Costa,* 13 Dimas,* 14 Abel Xavier,* 17 Paulo Bento e * 21 Nuno Gomes

Os jogadores mais carismáticos e mais talentosos tinham atingido a sua absoluta maturidade. Figo, Rui Costa, João Pinto e Jorge Costa andavam na casa dos 28 anos; Fernando Couto, Vítor Baía e Paulo Sousa na casa dos 30. Vitor Baia era o capitão com 70 internacionalizações e já batera o recorde de João Pinto; Figo e Fernando Couto estavam à beira de cometer o mesmo feito.
Em Eindhoven, contra a Inglaterra, aos 18 minutos Portugal parecia condenado a uma derrota humilhante. Dois centros de David Beckham, na direita, apanham, primeiro Paul Scholes, logo aos 3 minutos, e depois Steve McManaman soltos no meio de Fernando Couto e Jorge Costa: 2-0. Portugal estava desnorteado mas Humberto Coelho mantinha a calma como se fosse prever o futuro. De um momento para o outro, eis que surge em todo o seu esplendor a arte magnífica dos enormes talentos lusos com Rui Costa a pegar na equipa e na zona onde os dois trincos, Paulo Bento e Vidigal pareciam atrapalhar-se, empurra os companheiros para a frente, com passes bem medidos, com movimentos bem imaginados. Aos 22 minutos, chega o golo do torneio: Figo pega na bola, corre vinte metros com ela e, subitamente, dispara com força e colocação ao ângulo superior da baliza inglesa deixando David Seaman pregado na baliza. Estava feito o 1-2 e Portugal arrancava para um jogo histórico. 37 minutos: Rui Costa, na direita, segura a bola entre os pés e mete-a, bem colocada, perfeita, para o mergulho de cabeça de João Pinto que surpreende tudo e todos num salto de peixe colocando a bola ao 2º poste, sem hipóteses para Seaman.

Portugal   A Reviravolta do Novo SéculoPortugal crescia e não se ficou pelo empate. A superioridade do seu jogo merecia melhor: e foi novamente a magia de Rui Costa a inventar o terceiro golo, de Nuno Gomes. Em Eindhoven assistiu-se sem dúvida, ao momento mais alto e mais perfeito dessa geração de jogadores que prometera vir a ser a mais brilhante do futebol português. Este jogo, encheu de cor e alegria o Pais e teve o condão de levar Portugal a um incrível 1º lugar do grupo com 3 vitórias em 3 partidas (1×0 Roménia com golo de Costinha e o 3×0 à Alemanha com o inesquecível hat-trick de Sérgio Conceição), e lançou assim a equipa nacional para um Europeu de grande categoria que ficaria marcado pela derrota face à quase (inevitável) França no famoso caso da mão de Abel Xavier.

Foi seguramente um dos mais brilhantes jogos de sempre da Selecção Nacional e o primeiro grande aviso ao Mundo do que Portugal pode e tem de fazer à conquista de títulos, e ainda hoje perdura não só nas mentes quer dos jogadores, quer dos técnicos da altura mas sobretudo dos Portugueses que viram ali o início da conquista lusa de Europa e do Mundo.


Melhores momentos do Portugal 3×2 Inglaterra – EURO 2000

Sugestões...

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Pode usar estas etiquetas HTML e atributos: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>