Paul “Gazza” Gascoigne

Ontem, e enquanto folheava um jornal desportivo, reparo numa notícia de Paul Gascoigne inserida numa daquelas secções de “trivialidades” que hoje em dia todas as publicações fazem questão de contemplar. O que é facto é que esta notícia insignificante me fez recordar uma carreira repleta de confusões e casos hilariantes, mas igualmente de um jogador soberbo, um número 10 ainda hoje bem presente na memória de todos os britânicos.

Paul John Gascoigne nasceu a 27 de Maio de 1967 em Gateshead, Inglaterra. Depois de uma infância problemática, nascido no seio de uma família pobre, Paul ocupava os seus tempos livres jogando futebol, tentando abstrair-se dos graves problemas familiares. Através do seu primeiro clube, os Gateshead Boys, Gascoigne foi recrutado por olheiros ingleses, e dada uma oportunidade em vários clubes, como Ipswich Town, Middlesbrough e Southampton, todas elas experiências mal sucedidas. Em 1980 a sorte deste miúdo haveria de mudar, altura em que foi resgatado pelo Newcastle United.
Na escola, Paul foi uma vez visto a praticar o seu autógrafo, ao que prontamente respondeu “serei um famoso futebolista”. A professora, impressionada, avisou-o que “apenas 1 em 1 milhão atingem esse patamar”, algo que naturalmente não o fez desistir do seu grande sonho. Em 1983, com 16 anos, Gascoigne já era visto como uma grande esperança do futebol do Newcastle. Foi nessa altura a primeira vez que foi referido como “Gazza”, alcunha que o viria a acompanhar para o resto da carreira desportiva.

Newcastle
Em 1985 foi chamado pela primeira vez à equipa principal do emblema preto e branco. Cedo mostrou ser capaz de dar conta do recado, ganhando relevo nas opções do actual treinador Willie McFaul. No final da temporada, com um 11º lugar, Gazza fez capa na publicação “Rothmans Football Yearbook”.
Até 1988, Gazza participou em cerca de 100 partidas pelo Newcastle, com 25 golos. No final da última temporada, foi seleccionado como “Barclays Young Player of the Year”, e captou atenção de Liverpool, Manchester, e Tottenham. Ferguson comprometeu-se a traze-lo para o Man Utd, mas ao partir para férias sem o assunto resolvido, quando volveu a casa apercebeu-se de que Gascoigne tinha assinado pelos “spurs”, num record de transferência do futebol inglês (€2.3 milhões).

Tottenham
Já como médio de ataque categorizado, Gazza cedo fez questão de fazer valer os 2.3 milhões de libras nele investido. Raçudo, fortíssimo no um para um, o britânico celebrizou-se pelos grandes golos fruto de jogadas individuais, culminados com remates portentosos. Essa grande agressividade que colocava em campo levou-o também a cometer por vezes faltas extremamente duras. Depois de três temporadas fabulosas (88 a 91), Gascoigne viria a lesionar-se gravemente num joelho, ficando toda a temporada de 91/92 em recuperação.

Paul Gazza Gascoigne
Mudando-se de armas e bagagens para Roma, Gazza participaria em 47 partidas. Num percurso repleto de confusões com a imprensa e variadas lesões, Gascoigne nunca se conseguiu afirmar definitivamente na Lazio.
Voltando ao futebol britânico, desta feita para os escoceses do Rangers, Gascoigne voltava a sorrir. Cedo deixou impacto nesta equipa, marcando um golo de antologia na 5ª partida do campeonato, frente aos rivais do Celtic. Gazza correu quase todo o campo de jogo, ultrapassando tudo e todos, finalmente colocando a bola no fundo das redes. Foi igualmente nesta temporada um dos momentos mais hilariantes da sua carreira, quando um árbitro deixou cair um cartão amarelo. Gazza prontamente o apanhou, e antes de o devolver fez questão de admoestar o árbitro da partida, num lance célebre.

Internacionalmente, Gascoigne foi chamado à selecção pela mão do nosso conhecido Bobby Robson, em 1988. Foi aliás essa a sua melhor fase na selecção inglesa, altura em que participou no Mundial de 1990. Claramente a estrela da equipa, Gascoigne ajudou a atingir um 4º lugar na prova, sendo ainda seleccionado para a “All-Star Team”, juntamente com jogadores como Maradona, Matthaus, Donadoni ou Baresi. Depois de um conjunto de lesões, voltou a ser peça fundamental na fase de qualificação para o Euro 96, participando ainda na fase final. Frente à Escócia, marcou um golo soberbo considerado por muitos o melhor da prova. Como veterano, continuou a fazer parte dos planos da selecção, mas não mais viria a atingir o relevo de anteriormente.

Curriculum
1985-1988 Newcastle Utd (107 / 25)
1988-1992 Tottenham (112 / 33)
1992-1995 Lazio (47 / 6)
1995-1998 Rangers (104/ 39)
1998-2000 Middlesbrough (48 / 4)
2000-2002 Everton (38 / 1)
Selecção Inglesa (57 / 10)


Melhores momentos da carreira de “Gazza”

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