Vagos – De 8.ª Equipa a Certeza

Nunca antes o basquetebol nacional, em diversos anos de histórias e glórias, tinha vivido um “defeso” tão atribulado e agitado. Após o desfecho de um boa época desportiva de 2006/2007, principalmente do ponto de vista da promoção da modalidade, com uma Final de Playoff entre a Ovarense e o F.C. Porto decidida na “negra” e uma não pior meia-final entre a equipa do Benfica e o conjunto das Antas, que motivaram inclusivamente recordes de audiências televisivas e de lotação de pavilhões, eis que duas das principais equipas nacionais, Benfica e Queluz, decidem abdicar da sua participação na Liga Profissional para passarem a disputar a Proliga (2.ª liga nacional organizada pela Federação Portuguesa de Basquetebol). No seio desta decisão estiveram divergências entre os dirigentes dos respectivos clubes e da Liga LCB, insatisfeitos com o actual panorama do basquetebol português que na última década perdeu popularidade e carisma. Benfica e Queluz apresentaram-se como dois “revolucionários”, donos de firmes e convictas medidas que vieram empobrecer a principal Liga, sobretudo no número de clubes participantes.

Vagos   De 8.ª Equipa a CertezaA Liga LCB passava então a contar com apenas 7 emblemas, o que inviabilizaria uma nova edição na época de 2007/2008, dado que o número mínimo requerido pelos estatutos é de 8 clubes. Eis então que numa tarde quente de Junho surge um “D. Sebastião” do basquetebol português: a Associação Desportiva de Vagos. Este modesto clube da CNB1 (penúltima divisão federativa) bem representativo do concelho de Vagos, distrito de Aveiro (região que é considerada a “catedral do basquetebol”), apresentou a sua candidatura à Liga LCB, constituindo o 8.º emblema participante e viabilizando assim a edição de 2007/2008.
Imediatamente se fizeram ouvir as vozes dos habituais cépticos, desconfiados da capacidade das gentes de Vagos em poder construir uma equipa de basquetebol capaz de competir de forma digna e credível na principal competição do nosso basquetebol. Porém o tempo ditou o contrário e o Vagos rapidamente se conseguiu impor na exigente liga profissional. Com um plantel formado por experientes jogadores internacionais como Pedro Nuno, Nuno Perdigão e o carismático Anastácio Sami, jovens promessas da região como o João Balseiro (ex-Galitos de Aveiro) e quatro norte-americanos (Carlo White foi um dos destaques da última edição da Proliga), a equipa mostra-se dona de uma aguerrida atitude defensiva e de uma desinibida competência ofensiva e contabiliza já duas vitórias convincentes em quatro jogos disputados até ao momento, triunfos esses que foram conseguidos frente à exigente formação do Lusitânia dos Açores e ao histórico Barreirense.

Para bem do basquetebol nacional espera-se que surjam outros clubes como o Vagos, com iniciativa e dinamismo suficientes para concretizar um projecto sólido que venha enriquecer a principal competição nacional, mas que traga sobretudo de volta a credibilidade e popularidade de outros tempos.

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