Eterno Leverkusen 4×4 Benfica

Há jogos que ficam para sempre nas nossas memórias. Uma das datas que marcará para sempre o universo Benfiquista é sem dúvida 15 de Março de 1994. Jogava-se para a já extinta Taça das Taças e naquela noite fria e chuvosa no Bay Arena de Leverkusen, o Benfica encantou 25.000 lugares repletos, grande parte emigrantes portugueses numa gloriosa noite europeia. Pode-se afirmar que quem viveu o que se passou naquele estádio e naquela noite, jamais será esquecido!

Todos nós temos o nosso portfolio de melhores jogos de sempre, onde temos os verdadeiros hinos ao Futebol. É esse verdadeiro hino que aconteceu nos quartos de final da Taça dos Vencedores das Taças em 1994, na 2ª mão em Leverkusen, em que o Bayern tentava ultrapassar o empate que trazia da 1ª mão (1-1 golo do eterno profeta Isaías). Naquele jogo presenciou-se futebol de alto gabarito, com espectáculo, grandes golos de parte a parte, alternância no marcador, dúvidas até ao último segundo de jogo sobre qual das equipas passaria às meias-finais, árbitro e fiscais de linha a intervirem apenas quando tinham de intervir, enfim, um verdadeiro jogo de Futebol.

Eterno Leverkusen 4x4 BenficaO Benfica deslocava-se à Alemanha com alguma apreensão, mas com a confiança natural de uma equipa de classe mundial. Uma atitude contida, tentando controlar minimamente os acontecimentos e esperar pela oportunidade para, sentenciar a partida com um golo. O Leverkusen não foi em cantigas sobretudo por ser um conjunto que desabrochava no panorama europeu, bastante perigosa e com bons valores individuais – com Lars Ricken e Ulf Kirsten como figuras de proa. Resultado: o Benfica inicia o jogo a perder (1-0) e a estratégia mantem-se: contenção, afinal de contas se marcássemos um golo haveria prolongamento. Mas a verdade é que mal os jogadores esfregaram o olho e já estávamos a levar o segundo. Pensamento fugaz certamente, pois no minuto seguinte tinha início uma das mais emocionantes e dramáticas noites do futebol português, com o Benfica no tudo ou nada, totalmente para cima dos alemães!
Na sequência de um pontapé de canto sobre a direita, a bola sobra para Rui Costa à entrada da área alemã. Com três germânicos pela frente, decide dar de calcanhar para Abel Xavier que, com um poderoso e colocado remate de primeira, reduz a desvantagem para 2-1. Foi o golo da sua vida.

Mais um minuto volvido e novo canto a beneficiar o clube da águia, desta feita sobre a esquerda. Rui Costa marca o canto tenso para o primeiro poste onde aparece João Pinto, mais rápido e mais alto que os gigantes alemães, a desviar para o 2-2. Num curto espaço de dois breves minutos o Benfica passava de uma desvantagem dois golos (e consequente eliminação) para um empate a duas bolas que o colocava nas meias finais da competição.
A alegria invadia finalmente os milhares de benfiquistas presentes no estádio, e os milhões de benfiquistas espalhados mundo fora! A certeza do apuramento chegou quando num contra-ataque rápido Kulkov coloca pela primeira vez em 168 minutos o Benfica em vantagem no marcador. Na prática, a vantagem era de 2 golos e com 12 minutos para jogar não restava ao Bayer senão honrar a camisola.
Puro engano! Aos 80 minutos Ulf Kirsten voltava a marcar e no minuto seguinte Hapal colocava novamente os alemães na frente da eliminatória. A euforia portuguesa tinha virado pesadelo. Briosos e profissionais a 100%, os jogadores do Benfica não viraram a cara à luta e foram atrás do prejuízo, sendo recompensados 4 minutos depois com o segundo de Kulkov após um brilhante passe de João Pinto.

O resto da história, todos sabemos e guardamos no livro dourado do Benfica: um hino ao futebol, 8 golos num jogo (90 minutos!), incerteza no marcador até ao apito final, o delirio nas bancadas, os adeptos em constante apoteose com os jogadores a baterem-se como verdadeiros guerreiros e a lutarem até à ultima gota de suor, devorando todos os lances da partida como a última batalha de uma grande partida.

Rui Costa chegou mesmo a relembrar que há uma frase que resume este jogo: o treinador do Bayer disse que se eles tivessem marcado sete golos nós marcaríamos outros sete, e é verdade. A certa altura já sentíamos que tinha de acontecer mais qualquer coisa, não íamos ficar pelo caminho assim. O jogo esteve completamente de um lado, depois de outro, voltou a mudar e continuou aberto até ao último segundo. Nenhuma das equipas confiava no empate, jogavam as duas declaradamente para a vitória, e encaixaram bem uma na outra. Foi um jogo de muita técnica, fabuloso!”

Nesse dia, entre o que hoje já é nostalgia perante os verdadeiros comentários/relato “à antiga” da partida, eu senti o que chamamos de “fé”. Senti o que era realmente o Benfica que todos os meus antepassados gloriavam e falavam constantemente e sabia que mesmo depois de estar a perder por 10-0, a equipa iria sempre mostrar o que é o Benfica, tais foram as exibições de festa e celebrações não só na Avenida da Liberdade, mas sobretudo em todas as casas encarnadas (e não só) que naquela noite sentiram a fé do universo Benfiquista.

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