Análise: Porto 2×1 Marselha

Mais vale tarde do que nunca! Numa partida atípica, na qual o Porto apenas conseguiu estabelecer o seu futebol no segundo período, fica a memoria de 3 pontos saborosíssimos. Um total de 8 pontos para o dragão, que equivale nada mais nada menos do que a uma primeira posição no Grupo A de apuramento para os oitavos-de-Final.

A indisponibilidade de Lucho foi tema para toda a semana. Depois de uma partida de ma recordação frente aos azuis do Restelo, o Porto perdera os primeiros pontos no campeonato, assim como o seu importante capitão Lucho Gonzalez por lesão. O futebol cerebral do argentino não encontra paralelo no plantel portista, e isso foi algo que na partida de hoje pareceu evidente durante os 90 minutos. Jesualdo escolheu para o substituir uma solução conservadora, colocando Cech numa posição de médio interior esquerdo e dando a Assunção e Meireles a função de coordenadores do miolo de jogo.

Análise: Porto 2x1 MarselhaA exibição no Velodrome tinha sido de imenso brio, e o empate ate injusto para os olhos de um espectador isento. Como tal, a exigência mínima para a jornada de hoje seria demonstrar claramente a superioridade perante esta equipa francesa de Eric Gerets. No entanto, a entrada na partida não foi certamente aquela que os adeptos portistas expectavam. Um FC Porto apático, que levou a um recuo generalizado no terreno, permitindo ao Marselha – actual penúltimo classificado da “La Ligue” francesa – praticar um futebol rectilíneo e de risco para os portistas. Lances de eminente perigo nao os houve, mas a postura da equipa mostrava-se essencialmente órfã da criatividade que Lucho impõe no campeão nacional. Depois de uma meia hora sofrível, e contra a corrente da partida, Tarik desenha um lance de génio, uma jogada que iria marcar certamente esta 4.ª jornada da Liga dos Campeões edição 07/08: um golo fenómeno de Tarik Sektioui, aos 27 minutos. Para ver e rever. O magrebino a quem há bem pouco tempo dediquei um artigo, a vincar aquilo que faz dele uma referencia deste Porto actual. Capacidade de explosão, clarividência ofensiva, uma importante experiência. Apesar do golo, os predicados desta primeira parte não se alteraram, e o jogo mastigou-se ate ao intervalo.

O segundo-tempo viria a ser totalmente distinto do primeiro. Alias, as transformações evidenciavam-se bem cedo, aos 47 minutos. Niang (sim, o mesmo da Jornada 3) a aproveitar uma falha colectiva da defesa portista e a estabelecer o empate. A turma portista entrava certamente decidida a gerir o tento maravilha de Tarik, mas cedo as contas se alteraram, e este golo iria obrigar os pupilos de Jesualdo a trabalhar em prol da vitoria.
Aos 58′ Jesualdo colocava Postiga no ataque, retirando Cech. Alterando o esquema táctico para um 442, havia uma clara tentativa de povoar o meio campo garantindo assim maior consistência ao mais importante sector de jogo. A pouco e pouco, esta variação táctica fez-se notar e o Porto partiu para uma segunda-parte de grande pulmão, frente a um Marselha que parecia agora importado em segurar o empate. Aos 68′ Meireles sai desgastado para o lugar de um Bolatti mais identificado com a cultura azul-e-branca. Uma boa exibição do argentino. A equipa não denotava grande genialidade, mas desenvolvia um futebol ligado, com imensa fibra e garra, conseguindo mesmo construir algumas oportunidades nomeadamente através de lances de bola parada. Depois de uma tentativa gorada do inevitável Lisandro, com a bola a embater na barra, o argentino conseguia mais uma vez arrumar com as contas da partida: 78 minutos, e Lisandro responde imparável a um bom cruzamento de Quaresma, deixando o Estádio do Dragão em apoteose.

O que é certo é que neste segundo tempo vimos o Porto a praticar o futebol a que nos habituou. O Marselha não teve sequer capacidade para tentar responder ao tento portista, e os últimos 15 minutos foram geridos de forma soberba, com uma grande união entre sectores. Uma vitoria mais do que merecida, cujos louros deverão ser distribuídos por todos os intervenientes. Desta forma, o FC Porto a quase garantir a tão almejada qualificação para a 2.ª fase da competição. Com mestria.



Obra de arte de Tarik Sektioui

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