Observatório: Jesualdo e os Predicados de Futebol Moderno

Este Porto versão 2007/08 veio trazer à tona uma temática de grande interesse, que em outros países já há muito se tornou condição basilar: a vertente da compleição física. Em outras modalidades, fruto de uma mais clara e óbvia necessidade, este parâmetro foi desde sempre levado em conta. Falo, por exemplo, do Andebol e do Basquetebol. Não obstante as naturais diferenças entre as modalidades que refiro, cada vez mais elas se globalizam e certos parâmetros anteriormente inexistentes ou de certa forma implícitos, hoje tornam-se factores elementares e comuns entre elas.

Senão vejamos, para o futebol: a predominância de atletas de elevada estatura, e fisicamente fortes, torna-se uma prioridade; inversamente, os jogadores mais limitados neste particular deverão ser aqueles que sobressaem nas vertentes de organização de jogo, criatividade e até de genialidade. Faz tudo parte dum consenso geral no que a futebol moderno diz respeito: eficiência, regularidade, competitividade. Ao longo destas últimas décadas futebolísticas, temos visto por variadas vezes clubes nacionais saírem fracassados de competições internacionais, muito por culpa desta variável física dos seus atletas. Bem recentemente, e não obstante a clara infelicidade do guarda-redes portista que muito a isso ajudou, o FC Porto acabou por ser eliminado da Champions League depois de uma segunda parte marcada por uma total derrota físico-táctica; o golo vitorioso do Chelsea foi uma clara amostra disso mesmo.

Isto leva-me a uma questão, inserida na estratégia de contratações do Porto, que julgo pertinente: quando lidamos com jogadores vindos de campeonatos menos competitivos, de escolas menos evoluídas a nível de formação táctica, a variante física não será na maioria dos casos “engolida” pelo défice táctico? Para este exemplo, talvez o caso brasileiro seja o mais gritante. Jesualdo Ferreira referiu, no rescaldo da época então terminada, que a aposta em jogadores de elevada estatura seria uma prioridade. Lino, Bolatti, Edgar, Luís Aguiar: todos estes jogadores chegados (ou recém-chegados) de campeonatos sul-americanos. Não serão jogadores que, apesar da sua elevada estatura, provavelmente necessitarão de uma forte adaptação à competitividade e organização de jogo próprios de um futebol bem mais competitivo, o europeu? A partida Genk x FC Porto, mesmo tendo-se em conta o cansaço dos jogadores, veio demonstrar isso mesmo: um Bolatti totalmente desenquadrado do futebol europeu, um Luís Aguiar esforçado, tecnicamente evoluído, mas igualmente desajustado, um Lino que defensivamente comprometeu de forma clara. Fernando foi uma agradável excepção à regra. Este Porto tem conseguido reforçar-se mantendo um saudável equilíbrio financeiro, mas não terão sido a maioria das contratações meras apostas de risco?

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